Thursday, May 10, 2012
Friday, April 27, 2012
It's Not How Good You Are, It's How Good You Want To Be
Eu tenho uma relação de amor e ódio com as coisas que eu produzo.
Esse ano está sendo um ano muito bom, não tenho do que reclamar. Não parei até agora (já estamos quase em Maio) e sei que no mínimo até Julho tem coisa importante. Festivais, convenções internacionais para as quais fui convidada, etc. Isso me deixa calma nos momentos em que não estou ansiosa. Pelo menos não fico doente de ansiedade por falta de reconhecimento. É algum reconhecimento.
Agora tenho conflitos de outro nível. Esse ano fiz uma quantidade considerável de trampos em que eu crio as coisas do nada, tenho alguma autonomia dentro da proposta. Me deixam livre para propor o meu estilo e soluções, e para meu contentamento, apesar dos comentários tenho algum feedback positivo.
Isso me deixa dividida. Não estou reclamando, de forma alguma. Há umas semanas li na Livraria Cultura o livro 'It's Not How Good You Are, It's How Good You Want To Be' do Paul Arden. É aquele negócio de publicitário, que não é desenvolvido mas é profundo.
Estou mexendo bastante com fotos (amadoras) desde a semana passada. Eu adoro fotografar o dia-a-dia. Pessoas conhecidas, familiares, etc. É meu hobby. Faço também making ofs em vídeo e em still, então é um amador meio sério. É amador porque eu não pego freela disso nem tento. O bom de deixar assim é que eu faço do meu jeito e pronto.
Só que eu sou chata com as imagens que eu produzo. Tento melhorar. Não só tecnicamente, mas esse negócio do momento. Minha prioridade é mais o momento do que a técnica. Eu quero conseguir captar. Mas eu não consigo. E isso me deixa puta, que é um eufemismo para uma coisa interna que eu sinto para o qual ainda não inventaram palavra.
Parar o tempo.
Fico de mau humor e não quero ver ninguém. Não consigo ser boa. Eu curto, continuo fotografando e mexendo nas fotos, mas não chego lá.
Filme (movie) é assim. A gente tem que saber aceitar o resultado, que é um conjunto de fatores, uma produção de várias pessoas. Mas é difícil aceitar, porque você é a diretora, e não saiu do jeito que você quer. Isso me deixa enraivecida. Quero sumir, desaparecer. E continuar.
Não é só uma questão de que eu tenho que continuar para melhorar. Eu não tenho fé para esse negócio de treino = resultado. Minha motivação vem de lugares que eu vou morrer sem saber a origem e na verdade o desconhecido pode ser uma das maiores motivações. Por isso que Deus existe e por isso que a gente vive, é melhor não mexer nessa verdade.
Eu não consigo parar, mas não consigo gostar. E talvez pode ser que eu passe minha vida procurando sem conseguir ficar satisfeita com as coisas que eu faço, mas não consigo não fazer.
A verdade é que eu não sei exatamente para onde tudo isso está me levando. Eu acredito que vai me levar para algum lugar, mas não tenho idéia de que lugar seja.
E eu aceito. Só que não está bom. E apesar de ser bom as pessoas dizerem que gostaram... Racionalmente eu sei que tenho que aproveitar e ficar um pouco contente... Mas a resposta interna automática e descontrolada é que no fundo me dá raiva. Raiva não é a palavra certa. Eu fico ensandecida. Não com a pessoa, mas de saber que o resultado não é o que eu quero. Ou queria.
Enfim... Eu sei que isso é insano, mas sempre tive... Às vezes me dá vontade de esquecer a vida e ficar invisível. Me enfurnar num estúdio (quarto) para sempre e ficar treinando, pintando, desenhando, ouvindo música, escrevendo até me sentir útil, que eu acho que vai ser nunca.
Tenho que ficar lutando contra isso para não ficar autista. Não é difícil lutar contra, mas não me satisfaz. É tipo o meu auto-flagelo. A gente vive num mundo com vários layers, como uma cebola, como diz o Shreck.
Preciso estudar mais.
O que eu fiz até agora?!
Esse ano está sendo um ano muito bom, não tenho do que reclamar. Não parei até agora (já estamos quase em Maio) e sei que no mínimo até Julho tem coisa importante. Festivais, convenções internacionais para as quais fui convidada, etc. Isso me deixa calma nos momentos em que não estou ansiosa. Pelo menos não fico doente de ansiedade por falta de reconhecimento. É algum reconhecimento.
Agora tenho conflitos de outro nível. Esse ano fiz uma quantidade considerável de trampos em que eu crio as coisas do nada, tenho alguma autonomia dentro da proposta. Me deixam livre para propor o meu estilo e soluções, e para meu contentamento, apesar dos comentários tenho algum feedback positivo.
Isso me deixa dividida. Não estou reclamando, de forma alguma. Há umas semanas li na Livraria Cultura o livro 'It's Not How Good You Are, It's How Good You Want To Be' do Paul Arden. É aquele negócio de publicitário, que não é desenvolvido mas é profundo.
Estou mexendo bastante com fotos (amadoras) desde a semana passada. Eu adoro fotografar o dia-a-dia. Pessoas conhecidas, familiares, etc. É meu hobby. Faço também making ofs em vídeo e em still, então é um amador meio sério. É amador porque eu não pego freela disso nem tento. O bom de deixar assim é que eu faço do meu jeito e pronto.
Só que eu sou chata com as imagens que eu produzo. Tento melhorar. Não só tecnicamente, mas esse negócio do momento. Minha prioridade é mais o momento do que a técnica. Eu quero conseguir captar. Mas eu não consigo. E isso me deixa puta, que é um eufemismo para uma coisa interna que eu sinto para o qual ainda não inventaram palavra.
Parar o tempo.
Fico de mau humor e não quero ver ninguém. Não consigo ser boa. Eu curto, continuo fotografando e mexendo nas fotos, mas não chego lá.
Filme (movie) é assim. A gente tem que saber aceitar o resultado, que é um conjunto de fatores, uma produção de várias pessoas. Mas é difícil aceitar, porque você é a diretora, e não saiu do jeito que você quer. Isso me deixa enraivecida. Quero sumir, desaparecer. E continuar.
Não é só uma questão de que eu tenho que continuar para melhorar. Eu não tenho fé para esse negócio de treino = resultado. Minha motivação vem de lugares que eu vou morrer sem saber a origem e na verdade o desconhecido pode ser uma das maiores motivações. Por isso que Deus existe e por isso que a gente vive, é melhor não mexer nessa verdade.
Eu não consigo parar, mas não consigo gostar. E talvez pode ser que eu passe minha vida procurando sem conseguir ficar satisfeita com as coisas que eu faço, mas não consigo não fazer.
A verdade é que eu não sei exatamente para onde tudo isso está me levando. Eu acredito que vai me levar para algum lugar, mas não tenho idéia de que lugar seja.
E eu aceito. Só que não está bom. E apesar de ser bom as pessoas dizerem que gostaram... Racionalmente eu sei que tenho que aproveitar e ficar um pouco contente... Mas a resposta interna automática e descontrolada é que no fundo me dá raiva. Raiva não é a palavra certa. Eu fico ensandecida. Não com a pessoa, mas de saber que o resultado não é o que eu quero. Ou queria.
Enfim... Eu sei que isso é insano, mas sempre tive... Às vezes me dá vontade de esquecer a vida e ficar invisível. Me enfurnar num estúdio (quarto) para sempre e ficar treinando, pintando, desenhando, ouvindo música, escrevendo até me sentir útil, que eu acho que vai ser nunca.
Tenho que ficar lutando contra isso para não ficar autista. Não é difícil lutar contra, mas não me satisfaz. É tipo o meu auto-flagelo. A gente vive num mundo com vários layers, como uma cebola, como diz o Shreck.
Preciso estudar mais.
O que eu fiz até agora?!
Thursday, March 29, 2012
A Vida Não é Fácil
Para ninguém. Parece óbvio, mas não é, porque internamente procuramos paliativos à dor. O tempo inteiro.
Escrever me acalma. Desenhar, ouvir música no escuro, nadar...
Hoje cedo quando fui checar meus emails me deparei com um de uma amiga muito querida.
De vez em quando, quando é muito difícil lidar com dificuldades sozinhas, nós - um grupo de 5 garotas que cresceram juntas - dividimos nossas dificuldades e conversamos sobre elas.
Isso tem funcionado bem, vamos fazer aniversário de 12 anos mantendo essa relação construtiva e cada vez mais forte sem nos vermos no trabalho ou na escola.
Essa amiga recentemente recebeu uma cantada de um professor com quem ela queria conversar por motivos acadêmicos. Inesperadamente. Se sentiu culpada, mas no fundo, sabia que não havia causado a cantada.
Reparou na incongruência?
SE SENTIU CULPADA. Confusa.
Aí abrimos a conversa.
E olha só: ela não foi a primeira.
Eu já fui cantada por chefe, por pessoas acima de mim. Mas não precisa ser pessoas acima de você. Homem canta. Mulher canta. Isso não é ruim. É antiprofissional, mas acontece o tempo inteiro. Eu não faço, você não faz, mas acontece o tempo inteiro.
O ruim é o homem querer te convencer de que você causou a cantada. E eles fazem isso. O tempo inteiro.
Eles usam o instinto deles como justificativa para tirarem de si a responsabilidade de serem gente, e tiram de nós o direito de sermos gente, nos impondo a carapuça de ser sexual ao explorarem o nosso instinto da culpa, que é o instinto materno. Quanto mais bonita, mais culpada.
Quanto mais aceitamos isso, mais nos anulamos. É aceitar a selvageria, negar a integridade. Aceitar é subestimar a si e ao Homem, quase que como fazendo vista grossa a meninos órfãos abandonados roubando no semáforo. Mas eles vão estar bem vestidos e cheirosinhos, vão ter carro e profissão. Mas estarão abandonados e estarão roubando.
O instinto sexual masculino e a culpa feminina são imposições de uma história de desigualdade sexual.
A culpa é sempre sua. Só que na verdade, a culpa é quase sempre deles.
Só que ELES NÃO SENTEM. Ahá! É só por isso que a culpa não existe, por não ser sentida, porque a culpa É deles sim senhor!
Então, a minha sugestão é também não perder tempo sentindo culpa. Corte o laço da culpa. Isso é retrógrado. Anticonstitucional. Não negue a dor, mas não aceite a culpa.
Porque quando a culpa é nossa, eles “entendem”. É o paliativo deles. Eles não querem ver que erramos, e que o erro colocou eles atrás de alguém ou de alguma outra coisa. É o que fazemos nós mulheres o tempo inteiro. Sim senhor fazemos isso sim!
Os homens nos vêem como seres maus, sedutores, controladores e estrategistas, porque o instinto deles toma conta, e mulher é bicho, não é gente. Não é estudante, não é profissional, não é companheira. Mulher é bicho. Mulher é mal. Mulher é insegura.
O que a maioria não percebeu é que a mulher não precisa ser.
A dor vai vir de qualquer forma, você escolhe qual vai ser a dor do dia. Talvez esse seja o nosso conforto.
Os homens adoram se colocar na posição de garotinhos. Isso ainda funciona. Ai, isso dói, aquilo dói, tenho problemas de comunicação, entendi errado, você deu a entender... É a mesma coisa que “cala-a-boca, mulher!”. É a mesma coisa. Você é o que eu vejo de você. Cala a boca. Vivemos na mesma idade de sempre, nada mudou.
Só que agora é mais sutil, porque finge-se que mudou.
Hoje eu sinto dor. Não é uma dor pungente. Não é a dor da culpa. É a dor da incapacidade. Do silêncio. De ter que fingir que eu aceito. Quando minha alma não aceita. Minha integridade não aceita. Minha consciência não engole.
Essa é minha dor de hoje.
E ainda assim, tenho que trabalhar.
Porque eu escolhi fazer parte do mundo. Mulheres culpadas, libertem-se e não desistam! Porque ninguém vai ajudar vocês.
A falta é onipresente e o X do gráfico tem uma setinha que vai em frente, não pára.
Só dá para trabalhar o Y.
Escrever me acalma. Desenhar, ouvir música no escuro, nadar...
Hoje cedo quando fui checar meus emails me deparei com um de uma amiga muito querida.
De vez em quando, quando é muito difícil lidar com dificuldades sozinhas, nós - um grupo de 5 garotas que cresceram juntas - dividimos nossas dificuldades e conversamos sobre elas.
Isso tem funcionado bem, vamos fazer aniversário de 12 anos mantendo essa relação construtiva e cada vez mais forte sem nos vermos no trabalho ou na escola.
Essa amiga recentemente recebeu uma cantada de um professor com quem ela queria conversar por motivos acadêmicos. Inesperadamente. Se sentiu culpada, mas no fundo, sabia que não havia causado a cantada.
Reparou na incongruência?
SE SENTIU CULPADA. Confusa.
Aí abrimos a conversa.
E olha só: ela não foi a primeira.
Eu já fui cantada por chefe, por pessoas acima de mim. Mas não precisa ser pessoas acima de você. Homem canta. Mulher canta. Isso não é ruim. É antiprofissional, mas acontece o tempo inteiro. Eu não faço, você não faz, mas acontece o tempo inteiro.
O ruim é o homem querer te convencer de que você causou a cantada. E eles fazem isso. O tempo inteiro.
Eles usam o instinto deles como justificativa para tirarem de si a responsabilidade de serem gente, e tiram de nós o direito de sermos gente, nos impondo a carapuça de ser sexual ao explorarem o nosso instinto da culpa, que é o instinto materno. Quanto mais bonita, mais culpada.
Quanto mais aceitamos isso, mais nos anulamos. É aceitar a selvageria, negar a integridade. Aceitar é subestimar a si e ao Homem, quase que como fazendo vista grossa a meninos órfãos abandonados roubando no semáforo. Mas eles vão estar bem vestidos e cheirosinhos, vão ter carro e profissão. Mas estarão abandonados e estarão roubando.
O instinto sexual masculino e a culpa feminina são imposições de uma história de desigualdade sexual.
A culpa é sempre sua. Só que na verdade, a culpa é quase sempre deles.
Só que ELES NÃO SENTEM. Ahá! É só por isso que a culpa não existe, por não ser sentida, porque a culpa É deles sim senhor!
Então, a minha sugestão é também não perder tempo sentindo culpa. Corte o laço da culpa. Isso é retrógrado. Anticonstitucional. Não negue a dor, mas não aceite a culpa.
Porque quando a culpa é nossa, eles “entendem”. É o paliativo deles. Eles não querem ver que erramos, e que o erro colocou eles atrás de alguém ou de alguma outra coisa. É o que fazemos nós mulheres o tempo inteiro. Sim senhor fazemos isso sim!
Os homens nos vêem como seres maus, sedutores, controladores e estrategistas, porque o instinto deles toma conta, e mulher é bicho, não é gente. Não é estudante, não é profissional, não é companheira. Mulher é bicho. Mulher é mal. Mulher é insegura.
O que a maioria não percebeu é que a mulher não precisa ser.
A dor vai vir de qualquer forma, você escolhe qual vai ser a dor do dia. Talvez esse seja o nosso conforto.
Os homens adoram se colocar na posição de garotinhos. Isso ainda funciona. Ai, isso dói, aquilo dói, tenho problemas de comunicação, entendi errado, você deu a entender... É a mesma coisa que “cala-a-boca, mulher!”. É a mesma coisa. Você é o que eu vejo de você. Cala a boca. Vivemos na mesma idade de sempre, nada mudou.
Só que agora é mais sutil, porque finge-se que mudou.
Hoje eu sinto dor. Não é uma dor pungente. Não é a dor da culpa. É a dor da incapacidade. Do silêncio. De ter que fingir que eu aceito. Quando minha alma não aceita. Minha integridade não aceita. Minha consciência não engole.
Essa é minha dor de hoje.
E ainda assim, tenho que trabalhar.
Porque eu escolhi fazer parte do mundo. Mulheres culpadas, libertem-se e não desistam! Porque ninguém vai ajudar vocês.
A falta é onipresente e o X do gráfico tem uma setinha que vai em frente, não pára.
Só dá para trabalhar o Y.
Sunday, March 25, 2012
O Complexo De Portnoy
“Havia um retrato de N. Everett Lindabury, o presidente da Boston & Northeastern, na parede do nosso corredor. Meu pai ganhara aquela fotografia emoldurada ao completar um milhão de dólares em apólices vendidas – ou teria sido dez milhões? “O Senhor Lindabury”, “A Sede”... Quando meu pai pronunciava essas palavras, para mim é como se estivesse se referindo a Roosevelt na Casa Branca em Washington... e ao mesmo tempo como ele odiava toda aquela gente, principalmente Lindabury, com seu cabelo louro como o milho, seu inglês impecável da Nova Inglaterra, os filhos estudando em Harvard e as filhas em colégios suíços, ah, toda aquela gente lá em Massachussets, aqueles shkotzim caçando raposas! Jogando pólo! (ouvi-o gritando essas coisas uma noite, através da porta do quarto de casal) – e desse modo impedindo, o senhor entende, que meu pai se tornasse um herói para a mulher e os filhos. Que raiva! Que fúria! E não tinha em que descarregar tudo aquilo – só nele mesmo. “Por que é que meu intestino não funciona – estou cheio de ameixa até o cu! Por que é que eu tenho tanta dor de cabeça! Cadê meus óculos! Quem pegou o meu chapéu!”
Era assim com essa ferocidade autodestrutiva com que tantos homens judeus de sua geração se matavam por suas famílias, que meu pai se matava por minha mãe, minha irmã Hannah e, acima de tudo, por mim. Se ele vivia prisioneiro, eu haveria de voar: esse era seu sonho. O meu era o corolário do dele: ao me libertar, eu o libertaria – da ignorância, da exploração, do anonimato. Até hoje, em minha imaginação meu destino permanece atrelado ao dele, e volta e meia, ao deparar com uma passagem num livro que me impressiona pelo que há nela de lógico ou sábio, na mesma hora, sem querer, penso: “Ah, se ele pudesse ler isto. É! Ler e compreender...!”. Até hoje tenho essas esperanças, tenho esses anseios, como o senhor vê, aos trinta e três anos de idade... Nos meus tempos de calouro na faculdade, quando eu era ainda mais do que hoje o filho que tentava fazer o pai compreender – naquele tempo em que, para mim, era uma questão de vida ou morte ele compreender - , lembro que uma vez arranquei o formulário de assinatura de uma revista intelectual que eu próprio acabara de descobrir na biblioteca da faculdade, preenchi com o nome de meu pai e nosso endereço e o coloquei no correio anonimamente. Mas quando, nos feriados de Natal, fui, emburrado, visitar e criticar minha família, não encontrei nenhum exemplar da Partisan Review. Lá estavam Colier’s, Hygeia, Look, mas onde estaria a Partisan Review: Certamente ele tinha jogado fora a revista sem nem sequer abrir – pensei, arrogante e inconsolável –, sem ler, sem lhe dar importância, esse meu pai schmuck, idiota, filisteu!”
Era assim com essa ferocidade autodestrutiva com que tantos homens judeus de sua geração se matavam por suas famílias, que meu pai se matava por minha mãe, minha irmã Hannah e, acima de tudo, por mim. Se ele vivia prisioneiro, eu haveria de voar: esse era seu sonho. O meu era o corolário do dele: ao me libertar, eu o libertaria – da ignorância, da exploração, do anonimato. Até hoje, em minha imaginação meu destino permanece atrelado ao dele, e volta e meia, ao deparar com uma passagem num livro que me impressiona pelo que há nela de lógico ou sábio, na mesma hora, sem querer, penso: “Ah, se ele pudesse ler isto. É! Ler e compreender...!”. Até hoje tenho essas esperanças, tenho esses anseios, como o senhor vê, aos trinta e três anos de idade... Nos meus tempos de calouro na faculdade, quando eu era ainda mais do que hoje o filho que tentava fazer o pai compreender – naquele tempo em que, para mim, era uma questão de vida ou morte ele compreender - , lembro que uma vez arranquei o formulário de assinatura de uma revista intelectual que eu próprio acabara de descobrir na biblioteca da faculdade, preenchi com o nome de meu pai e nosso endereço e o coloquei no correio anonimamente. Mas quando, nos feriados de Natal, fui, emburrado, visitar e criticar minha família, não encontrei nenhum exemplar da Partisan Review. Lá estavam Colier’s, Hygeia, Look, mas onde estaria a Partisan Review: Certamente ele tinha jogado fora a revista sem nem sequer abrir – pensei, arrogante e inconsolável –, sem ler, sem lhe dar importância, esse meu pai schmuck, idiota, filisteu!”
Philip Roth
Thursday, March 22, 2012
Superstar
Desconfortável.
Abaixo, a explicação do filme (é um TCC!):
Abertamente gay, o cineasta experimental Todd Haynes entrou em cena dois anos após sua graduação na Universidade de Brown com o seu agora infame tesouro cult "Superstar - a história de Karen Carpenter" (1987), de 43 minutos. Usando o artifício criativo de usar bonecas Barbie e Ken para contar a história da morte da pop star de anorexia, ele passou meses fazendo miniaturas de pratos, cadeiras, roupas, lenços de papel, caixas de laxantes e discos dos Carpenters para criar a complexa mise-en-scene em miniatura. O resultado foi audacioso e efetivo pois os bonecos deixaram de ser bonecos e fizeram o público chorar pela história trágica da cantora. Infelizmente, a inimizade de Richard Carpenter com o filme (que o fez parecer um idiota egoísta) levou à uma ordem judicial em 1989, e apesar do diretor oferecer "mostrar o filme apenas em clínicas e escolas, com todo o dinheiro sendo destinado ao Memorial Karen Carpenter de pesquisa da Anorexia Nervosa, 'Superstar' permanece enterrado, um dos poucos filmes na América moderna que não pode ser visto pelo público em geral. Agora finalmente você tem a chance de ver esta obra.
(eu traduzi o texto abaixo, desculpem pelos erros)
Openly gay, experimental filmmaker Todd Haynes burst upon the scene two years after his graduation from Brown University with his now-infamous 43-minute cult treasure "Superstar: The Karen Carpenter Story" (1987). Seizing upon the inspired gimmick of using Barbie and Ken dolls to sympathetically recount the story of the pop star's death from anorexia, he spent months making miniature dishes, chairs, costumes, Kleenex and Ex-Lax boxes, and Carpenters' records to create the film's intricate, doll-size mise-en-scene. The result was both audacious and accomplished as the dolls seemingly ceased to be dolls leaving the audience weeping for the tragic singer. Unfortunately, Richard Carpenter's enmity for the film (which made him look like a selfish jerk) led to the serving of a "cease and desist" order in 1989, and despite the director's offer "to only show the film in clinics and schools, with all money going to the Karen Carpenter memorial fund for anorexia research," "Superstar" remains buried, one of the few films in modern America that cannot be seen by the general public. Now finally you have a chance to see this piece.
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